sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Luk Hop Kuen

Chamado de seis uniões, ou seis harmonias, o Luk Hop Kuen foi criado dentro do Mosteiro de Shao Lin.

O conceito "físico" das seis uniões é muito amplo e utilizado de forma geral em muitos estilos de arte marcial chinesa, no que diz respeito às seis articulações do corpo humano; articulação do pulso, cotovelo, ombro, tornozelo, joelho e bacia. Este conceito se aplica de duas formas : na prática constante do alinhamento perfeito destas articulações para que a técnica possa ser executada com perfeição e o golpe tenha força total, e na segunda forma, em que o ataque seja dirigido a uma destas articulações.

O conceito "imaterial" das seis uniões envolve o uso da energia vital Chi, e se aplica no seguinte ditado do Luk Hop Kuen :
"Os olhos acompanham a mente, a mente acompanha o Chi,
O Chi acompanha o corpo, o corpo acompanha as mãos,
As mãos acompanham os pés, e os pés acompanham os quadris."

Alguns estudiosos fazem um elo do Luk Hop Kuen com o Yeng Yi Kuen (形意拳), tanto nos conceitos de aplicação de força Ging (勁) como na movimentação, dinâmica e utilização do conceito das "seis uniões".

Movimentos fortes, com pisões, alternando técnicas de chutes e socos, faz do Luk Hop Kuen um estilo poderoso, com uma ampla gama de possíveis movimentos de ataque e contra-ataque, alternando entre movimentos suaves e explosivos.





Lok Hop Kuen brief genealogy
Liu Gan Yue
劉鎮
Chiu Yam Chao
趙鑫洲
Mong Lai Sing
萬籟聲
Yim Sheung Mo
嚴尚武
Chan Kowk Wai
陳國偉

Lo Hon Kuen

Estilo originário do Monastério de Shao Lin, a data da sua criação é totalmente imprecisa, já que as suas técnicas se misturam com algumas formas de outros estilos oriundos do próprio mosteiro.

Praticado apenas pelos monges responsáveis pela proteção do Monastério e dos salões de meditação, Luo Han se traduz para arhat ou arahat (em sânscrito, merecedores, ou dignos e merecedores). Os arhats são monges da corrente budista Hinayana que já alcançaram o Nirvana (objetivo do budismo - iluminação), se libertando de futuras encarnações, sendo desta forma os defensores e protetores do Dharma.

São dezoito arhats, sendo dezesseis indianos e dois chineses, e os seus nomes são : 1. Pindola, o Bharadvaja; 2. Kanaka, o Vatsa; 3. Pindola (segundo); 4. Nandimitra; 5. Vakula; 6. Tamra Bhadra; 7. Kalika; 8. Vajraputra; 9. Gobaka; 10. Panthaka; 11. Rahula; 12. Nagasena; 13. Angida; 14. Vanavasa; 15. Asita; 16. Pantha; 17. Ajita e 18. Pindola (Polotoshe).

Em muitos templos, podemos encontrar nas entradas das salas de meditação estátuas dos arhats, como que num aviso de que os protetores do Dharma estão em todos os lugares, e atentos a tudo.

Estilo composto por técnicas corporais, os movimentos de ataque e defesa são rápidos, objetivos e precisos. As técnicas exigem flexibilidade e força para a sua execução.

Chat Seng Tong Long Kuen (Louva-deus Sete-estrelas)

Estilo muito popular e difundido em todo o mundo, foi criado em torno de 1640 por Wong Long. Natural da província de Shandong, Wong Long já possuía conhecimento de técnicas de esgrima e lutava contra a opressão da dinastia Ming. Por este motivo, Wong Long viajava por toda China em busca de novas e eficientes técnicas de combate. Wong Long viajou por muitos lugares, estando e treinando durante um tempo no mosteiro de Shaolin em Henan.

A lenda que deu origem ao louva-a-deus se deu quando Wong Long perdeu um combate para um monge seu colega. Confuso e perplexo com a derrota, Wong Long meditava desesperadamente, a procura de uma solução para melhorar as suas técnicas de combate. Num destes momentos de meditação, Wong Long foi distraído pelo combate entre um louva-deus e uma cigarra. O louva-a-deus, menor e mais frágil, derrotou a cigarra em poucos instantes. Wong Long capturou o louva-a-deus e começou a observar os movimentos do animal, repetindo-os passo a passo e adaptando para o combate, criando assim um estilo de arte marcial chinesa eficiente.

Com o passar dos anos, o legado de Wong Long foi aperfeiçoado e desenvolvido por diversos mestres de renome, o que deu surgimentoe formação de vários estilos de Louva-a-deus: Chat Seng (sete estrelas), Mui Fah (Flor de ameixa), Baan Gwong (Tábua brilhante), Lok Hap (seis coordenações), Tai Kek (Supremo), Bei Mun (recluso), Baat Bo (oito passos), Jeung Kuen (Punho longo), Tung Bei () e outros menos conhecidos.

O maior nome do Louva-deus foi o Grão-mestre Wong Hon Fan, que ensinou o estilo durante muitos anos na Associação de Artes Marciais de Hong Kong, formando muitos professores.

O Chat Seng Tong Long Kuen possui aproximadamente trinta formas de mãos livres e seis formas de armas, e as suas técnicas são compostas por movimentos rápidos, curtos e precisos, onde o atacante penetra por dentro da guarda do adversário, utilizando técnicas de socos, cotoveladas e chutes curtos, que quase sempre culminam com a projeção do adversário ao solo.

Breve genealogia do Louva-deus Sete-estrelas
Wong Long
王朗
Seng Siu Tou Yan
升道人
Lei Sam Chin
李三
Wong Wing Shan
黃榮生
Fan Cok Tung
范旭東
Lo Kwong Yuk
羅光玉
Wong Hon Fan
黃漢勳
Chan Kowk Wai
陳國偉

Fan Chi Ying Jaau (Garra de Águia)

Criado em torno de 1149 por Li Quan Seng (Lai Chun) , o estilo Fan Zi Ying Zhao (Garra de Águia) tem o seu nome, como muitos outros estilos que fazem referencias a animais, diante da diversidade do treinamento de técnicas de Qinna (imobilizações e torções) que sugerem a agilidade, força e precisão da águia.

Famoso por suas 108 técnicas de chaves e pegas, os treinamentos específicos para desenvolver a força das mãos e braços do praticante, em conjunto com as técnicas das formas existentes dentro do estilo, o praticante poderá imobilizar o seu adversário sem o menor esforço. Combinadas com ataques de mão e pernas, as chaves tornam-se mais úteis ainda para complementar o estilo.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Tam Toi (Tam Tui)

O Tam Toi tem origens no século XVII, mais provavelmente dentro da etnia Hui (muçulmanos), juntamente com outro estilo classificado como "punho long" chamado Cha Kuen. Alguns historiadores também atribuem a criação do Tam Toi aos monges do templo budista Longtan (Lago ou poço do dragão), localizado em Jiyuan.

Outra corrente de pesquisadores e historiadores afirma que o estilo sofreu influência por parte do mosteiro de Shaolin.

O estilo era dividido originalmente em um grande conjunto de rotinas com socos, chutes e rasterias mas hoje é dividido em dois grupos, um com dez formas e o outro com doze formas, cada uma com elementos distintos, e se caracteriza pela repetição retilínea predominante de movimentos executados sempre para ambos os lados. Os chutes fortes abaixo da cintura são a principal característica deste estilo, originando daí o seu nome, Tan Tui (Pernas que saltam).

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Yeng Yi Kuen (Hsing I)

Criado em torno de 1600 por Kee Lung Fong, o Yeng Yi Kuen tem as suas origens no estilo Luk Hop Kuen, originário do Mosteiro de Shao Lin. Kee Lung Fong, especialista nas técnicas de combate com a lança, criou um estilo próprio de combate usando somente as mãos e os pés, e o ensinou para algumas pessoas; porém o estilo se tornou conhecido através de Kwok Wan Sam (Guo Yun Shen), mestre e herdeiro da quinta geração do Yeng Yi Kuen.

Existem muitas escolas de Yeng Yi Kuen, cada uma com características distintas, mas as três principais são Hebei, Shanxi e Henan.

A movimentação das formas do Yeng Yi Kuen são predominantemente lineares; o praticante movimenta-se coordenando o corpo todo durante a execução das formas. As mãos, os pés e o tronco se movimentam em conjunto, e a cabeça, mãos e pés estão sempre alinhados pelo mesmo eixo vertical. Os braços ficam posicionados em frente ao corpo e o praticante sempre deve estar sempre alinhado com parte frontal do adversário. Existem algumas técnicas de chute dentro do estilo.

É dada grande ênfase na habilidade de gerar energia com o corpo inteiro e direcioná-la em uma única descarga, liberada num único movimento explosivo. As técnicas possuem características agressivas e o praticante de Yeng Yi Kuen prefere se movimentar para dentro do adversário, com um ataque fulminante e decisivo na primeira oportunidade. O estilo prima pela economia de movimentos e o conceito de ataques e defesas simultâneos. Como está implícito no nome, a forma ou sequência dos movimentos é só uma manifestação física do intento do praticante. O princípio fundamental de todas as escolas e estilos de Yeng Yi Kuen é de que a mente controla tudo e guia os movimentos do corpo.



Breve genealogia do Yeng Yi Kuen
Ki Lung Fan
姬隆風
Dai Long Bang
戴龍邦
Li Luo Neng
李洛能
Guo Yun Shen
郭雲深
Li Kui Yuan
李奎源
Sun Lok Tong
孫祿堂
Ku Yu Cheong
顧汝章
Yim Sheung Mo
嚴尚武
Chan Kowk Wai
陳國偉

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Baat Kua Cheong (BaGua)

O Baat Kua Cheong é baseado na teoria dos Oito Trigramas do Livro das Mutações (Yi Jing, ou popularmente I Ching). Ao executar as formas do estilo, o praticante se movimenta dentro de um círculo imaginário, alternando padrões de movimentação retilínea e circular de oito passos; as formas do Baat Kua Cheong são extremamente complexas e longas.

Criado durante a dinastia Qing (1644 a 1912), a identidade do seu verdadeiro criador é obscura. Tem-se registro de que o primeiro mestre de renome a difundir o Baat Kua Cheong abertamente foi Dong Hai Chuan, e o estilo se tornou popular através de dois de seus alunos : Cheng Ting Hua e Yin Fu. Sun Lu Tang também contribuiu de forma significativa para o desenvolvimento e difusão do Baat Kua Cheong na era moderna.

As técnicas são semelhantes as do Tai Kek Kuen e incluem ataques de mão aberta e fechada, torções e chaves, chutes, rasteiras e projeções (quedas). As formas predominantes são as de mãos livres mas o estilo conta com formas de armas (lança, espada, facão, e facas rabo-de-peixe).